• 03nov

    A Sustentabilidade na Agricultura do Semi-Árido

    Por mais estranho que possa parecer, o semi-árido brasileiro não é uma terra ruim para a atividade agrícola. Grandes extensões planas boas qualidades atmosféricas para culturas como a da uva, por exemplo, e vastas reservas de água de qualidade nas profundezas da terra; dão a esse lugar tão desprezado de nossa geografia um caráter de alto produtor de frutas e de alimentos em geral quando sanamos os problemas envolvidos na obtenção de água.

    Visando transformar as propriedades rurais dessa região do país em áreas de produção de alimentos e em terras férteis para a agricultura de diversas variedades vegetais, o governo brasileiro e algumas ONG’s vêm realizando projetos de pesquisa e implementando a prática da agricultura sustentável nessas pequenas e médias propriedades do semi-árido.

    Assim, qualificando e formando uma boa quantidade de mão de obra capacitada a entender e aplicar seus conhecimentos sobre sustentabilidade na agricultura, essas populações promovem verdadeiras e impressionantes transformações em suas propriedades, antes seca e poeirentas. Ganham os habitantes do semi-árido, ganha o país e ganha a população local com a criação de novas frentes de trabalho e a melhoria das condições gerais de vida da sociedade da região.

    Ao invés de voltarem-se única e exclusivamente para a cultura de subsistência e de basicamente “comerem poeira” ano após ano; a aplicação das técnicas de sustentabilidade na agricultura dessas regiões semi-áridas; potencializa os ganhos dessas famílias e as introduz num contexto totalmente novo de comercialização de excedentes de produção e, conseqüentemente de uma vida melhor e muito mais feliz e produtiva.

    Hoje; graças a essas técnicas de sustentabilidade aplicadas à agricultura do semi-árido brasileiro. As famílias deixaram para trás as parcas colheitas de feijão, milho e palma; para produzirem e comercializarem hortaliças, frutas e produzirem vinho (além da criação de rebanhos mais saudáveis e economicamente viáveis). As principais barreiras para a implantação dessas técnicas de sustentabilidade na agricultura do semi-árido brasileiro são, principalmente, a baixa cultura geral da população rural local e os baixos índices de escolaridade. Mesmo assim, ao observarem os exemplos palpáveis e os resultados assustadoramente positivos daqueles que já adotaram essas práticas em suas próprias propriedades; o desejo de ingressar nos projetos e participar ativamente de tudo é algo que supera qualquer expectativa contrária.

    Ensinar as técnicas corretas; criar a consciência de que as queimadas e o uso indiscriminado de agrotóxicos são erros que danificam e destroem a terra, os lençóis de água e reduzem, em longo prazo, a qualidade e a quantidade das safras; além de dar condições ao sertanejo do semi-árido para que ele melhore suas condições de instrução e de educação geral, são os procedimentos-chave que proporcionarão a recuperação de grandes áreas, hoje secas e abandonadas, e transformá-las em áreas produtivas e totalmente auto-suficientes. Gerando riquezas, divisas e felicidades para o povo simples e hospitaleiro do nosso sertão.

    Analisar e perceber as particularidades de cada região e os aspectos da biodiversidade e da ecologia local são fatores indispensáveis para proporcionar uma adesão e um menor impacto das atividades agrícolas numa área normalmente muito susceptível ao impacto devastador de pesticidas e do uso de técnicas incorretas de plantio. A única saída para garantir bons lucros e boas condições de vida no semi-árido brasileiro é a difusão e aplicação das boas práticas de sustentabilidade na agricultura e na conscientização do homem do semi-árido para o seu real valor e sua real importância na geografia e na realização econômica de nossa nação.

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3 Comentários

WP_Cloudy
  • José Carlos disse:

    Raul, parabéns pela iniciativa de escrever sobre o semi-árido. É o único bioma totalmente brasileiro e merece mais atenção. Não sei se por regionalismo esta atenção não chega nunca. Se nada for feito a desertificação vai tomar conta e o que se conhece por caatinga será representada por pequenas manchas na paisagem. Abraços.

  • Ligia Giati disse:

    Olá, estou entrando em contato contigo para te convidar para um encontro sobre sustentabilidade que vai acontecer em São Paulo nos dias 20 e 21 de novembro. É o Global Forum América Latina, um encontro de inovação criativa para estimular a cooperação entre universidades, empresas, poder público e sociedade, em prol da construção de um mundo sustentável. Serão dois dias de trabalho na Fecomércio, onde cerca de 500 pessoas discutirão propostas e soluções inovadoras que promovam transformações econômicas e socioambientais positivas.

    O evento tem uma taxa de inscrição de R$ 120,00 para professores e R$ 60,00 para alunos, mas para blogueiros e ativistas de sustentabilidade na internet temos uma cota de convites especiais, sem custo algum.

    O prof. Ronald E. Fry,PhD, coordenará a etapa em São Paulo a partir da Investigação Apreciativa, metodologia de conversação inovadora desenvolvida em conjunto com o prof. David Cooperrider,PhD pela Case Western Reserve University (Cleveland, Ohio).

    Neste encontro, os sistemas de ensino superior, especialmente as escolas de administração de empresas e cursos correlatos, serão inspirados a levar essa reflexão para dentro de seus cursos, a fim de proporcionar capacitação em desenvolvimento sustentável.

    Achei que este assunto te interessa então tomo a libersade de enviar este material.

    Se quiser mais informações visite nosso site: http://www.globalforum.com.br

    Se quiser aceitar nosso convite, responda esta mensagem em sp@globalforum.com.br com o assunto: CONVIDADOS DA INTERNET

    Atenciosamente,

    Ligia Giatti
    ligiagiatti@gmail.com

  • Raul disse:

    Obrigado pela mensagem, José Carlos!
    Acredito que seja uma questão de organização, ou desorganização. São tantos problemas, que ninguém sabe por onde começar e, o pior, ninguém começa nada.

    Precisamos nos esforçar para colocar essas questões na maior evidência, para que realmente chame a atenção de todos e algo comece a ser feito.

    Obrigado pela visita!

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